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Vislumbrei.

Outubro 16, 2009

Sabe aquele momento que sonhamos que ocorra, aquele que temos a vida nas mãos e podemos transformar nossa realidade, então, hoje parece que vislumbrei e vou contar!

 Fui ao psiquiatra, depois de faltar algumas vezes hoje senti vontade de ir. Hoje parecia um bom dia para ter algumas respostas sobre eu. Acordei com aquela vontade de não levantar (que conste que o melhor horário de se dormir é a hora que acordamos) cocei os olhos, revirei o edredom e com o pé direito me levantei.

 05hs38 – Marcava o radio relógio.

 Escovei os dentes, bochechei o mata bafo, mergulhei o rosto na pia, dei aquela olhada no espelho, coloquei ração pro Ramsés e para Sophie, voltei pra sala (tenho dormido na sala) e coloquei o traje de guerra.

 Calça jeans e camiseta branca, tudo para transparecer sobriedade, aliás é péssimo ser analisado, mas como para eu me entender tem sido mais fácil me enxergar aos olhos de terceiros tenho que ser o mais racional possível para entender isto também.

 Não estava nem calor nem frio o dia estava agradável, corri para “pegar” o ônibus e somando mais uns 50 minutos desde que eu tinha acordado já havia chegado ao confessionário.

 Eu vim pegar alguns resultados de exames, meu nome é Ed Willians, a recepcionista nem bom dia disse, mas o que desejar pra um paciente psiquiátrico? Gentilmente ela apontou uma cadeira na sala de espera, eu posso ser louco, mas entendi perfeitamente, ia demorar…

 Depois de uns 15 minutos a recepcionista que aparenta uns 40 anos com aquele rosto judiado e os pés em total rebelião com os sapatos de salto alto me acenou com os exames em mãos e com uma voz horrenda, (daquelas do tipo mecânica formada por anos de fumo) me disse, Sr. Ed aqui estão os resultados você tem consulta marcada hoje com a Doutora, está marcado para as 11hs45.

 Peguei os exames e voltei para casa, eu não lembrava que tinha consulta, por mais que ontem eu tinha sido informado por telefone desta consulta, mas tinha esquecido completamente.

 Chegando em casa me lembrei do emprego, puts, não tinha avisado meu chefe antes, peguei o telefone e estava sem sinal como de costume, mandei um email muito envergonhado.

 Troquei a água do Ramsés e da Sophie, peguei as cacas, tomei café da manhã vendo as tragédias matinais na televisão…

 Sei, sei, nada envolvente né, mas até o momento só tinha acontecido isso.

 Quando marcavam 11hs06 peguei a carteira e corri novamente atrás do ônibus. Cheguei ao consultório e não me identifiquei, não foi preciso, a recepcionista me olhou e apontou novamente a mesma cadeira, sentei e folheando uma revista e acompanhando a tele tragédia fiz o tempo “andar” mais rápido.

 Quando exatamente marcava 11hs45, Sr. Ed pode entrar, a Doutora irá te atender.

 Bom dia!

Bom dia Ed, como tem passado, andou faltando em algumas consultas eu mesma liguei para sua casa, mas seu telefone sempre dava como ocupado.

É Doutora, meu telefone está com problemas há dias ele tem oscilado, oras funciona outras não.

Ed, conte o que tem feito desde então para continuarmos com nossas consultas.

 Sentei numa cadeira muito confortável, e já pensei, por isso que todos declaram suas vidas para os psiquiatras, a cadeira com certeza tem haver diretamente com isso, nos deixam à vontade simplesmente relaxados. Contei tudo o que estava acontecendo, problemas no trabalho, uma nova mudança de residência, preocupações com pessoas próximas, etc.

 Ela nem suspirava, só olhava prestando atenção em tudo minuciosamente, quando eu dei uma pausa ela se levantou pegou um livro voltou a sentar e naturalmente me disse, Ed o que eu posso fazer por você é medicá-lo, mas como você tem essa autocrítica que se recusa a tomar remédios eu não posso fazer nada por você. Levantei-me apertamos as mãos e disse boa tarde, eram mais ou menos 13hs10.

 Incrível como o padre e o psiquiatra são semelhantes, ambos ouvem seus problemas, sua vida, e só podem fornecer esperanças, remédios e orações, mas você continua com os problemas e mais incógnitas, às vezes podemos rezar um pouco ou tomar alguns remédios, mas quem pode ter suas respostas?

 Sabe aquele momento que sonhamos que ocorra, aquele que temos a vida nas mãos e podemos transformar nossa realidade, então, hoje parece que vislumbrei.

 Foi a partir desta pergunta “…quem pode ter suas respostas?” que eu despertei, eu posso me responder, eu só tenho à mim mesmo, nada do que terceiros saberem ou tentarem entender poderá me certificar da completa certeza de quem eu sou, então voltei para casa e comecei a organizar mentalmente minha vida e minhas derrotas.

 Liguei o computador e o torrent tava bombando, enfim “A mulher invisível” tinha terminado, peguei uma coca-cola, sentei na minha cadeira que não é nem um pouco confortável, alías é bem desconfortável e copia srt pra dentro do diretório e play!

 Gente eu chorei, neste filme eu me reencontrei, não suficiente, após terminar assisti novamente. Simplesmente atônito incrível como um personagem “fictício” pode se parecer tanto com você, quem me conhece pessoalmente com certeza dirá a mesma coisa.

 São 22hs22.

 Sei que venho escrevendo muita coisa negativa ou depressiva, e com a ajuda de um dos leitores resolvi escrever algo menos cruel e egoísta, sei lá.

 O mais engraçado é que no filme, por mais que a situação do Selton Melo esteja em total desencontro com sua identidade ele e nem os demais personagens tentam interná-lo ou fazê-lo crer em orações, não, ele tem um amigo fiel a ele e as respostas que ele procurava sempre estavam nele mesmo. Ele não culpou nada e ninguém, simplesmente conseguiu conviver consigo mesmo, aceitando-se como é.

 Isso é o que eu vislumbrei hoje, tenho que me aceitar, pois as respostas que procurava estão todas em mim, alías quem sempre pergunta deve sempre saber a resposta!

 23hs45.

2 comentários

  1. Mto mto Mtooo! felizzzzzzz por vc!! ter realmente acordado e resolver viver e ter feito a escolha cuidar de vc , ter escolhido a vida!!!!! de verdd e de coração que te falo isso e vc sabe bem!!!! bjos querido ! VIVA A VIDA INTENSAMENTE!!


  2. Rapaz, escangalhei-me de rir com seu texto, porque já passei por situação parecida… é impossível ir a um psiquiatra e encarar os outros pacientes nos olhos, parece que estão todos se analisando. “- Esse cara parece suicida, esse outro maníaco-depressivo… pelo terno de riscos brancos esse deve ser bipolar”. O meu me receitou Alprazolam, mas parei de tomar porque me deixava sonolento e um dia acabei caindo da bicicleta – umas crises de estresse pontuais não matam ninguém, né?
    Ainda não assisti a “Mulher Invisível”, mas já vi que tem no CPT para baixar, não sou fã de comédia, mas seu comentário deixou-me curioso, vou dar uma conferida.
    Abraços e, da próxima vez, leve ao médico um exemplar de “O Anticristo”, de Nietzsche, e finja que está lendo. Acho divertidíssimo deixar o psiquiatra intrigado! :D



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