
Quando penso em ser engraçado e chego a analisar algumas situações que me fazem rir me dou conta o quanto é trágico, bom não acabei de redescobri a comédia, mas nunca havia percebido a essência irônica que esta observação podia me trazer.
Sim, sou engraçado e isto assusta, pois dito algumas vezes minha própria vida, dou risada, mas por dentro sinto o quanto estou enganando a mim mesmo.
Sentenças de personalidade a parte me sinto melhor ao ver os que me rodeiam rirem da minha desgraça, ai em algumas vezes vislumbro o que é tornar alguém feliz, mostrar pra eles o quanto sua vida pode ser pior ou menos alucinante que a dela.
Dizem e eu por muitos anos observei o quanto a bebida alcoólica pode fazer com sua personalidade, acredito que muitos autores teatrais, roteiristas, cinegrafistas, enfim todo tipo de pessoas ligadas diretamente a criação do drama e da comédia podem transparecer o alcoólatra. O grande e medonho se transforma no dócil, engraçado e pateta e o grande palhaço no mísero, deprimente e anti-social.
Vê o quanto podemos ampliar um assunto tão agradável e engraçado e ver as facetas tristes e cicatrizes de um grande sorriso?
É amamos a desordem, o improvável, a tristeza. Fazem-nos sentir mais humanos ou quase perfeitos quando o locutor nos prega grandes tragédias, rimos e no final em algum lugar sabemos que aquele azarado palhaço está dentro de cada um de nós, fazendo de suas cicatrizes, tombos, e uma lágrima delicadamente imortalizada em seu rosto se transforme em dores no abdômen de tantos rirmos.
Quando eu fazia curso de roteiro tínhamos aulas de comédia e tragédia, depois durou a entender a diferença delas para a então tão explorada tragicomédia, bom hoje vejo que a diferença está apenas naquilo que sentimos quando somos o telespectador e não na crítica de dividirmos ou unirmos os dois, pois no final cada um será a conseqüência do outro, mas é só um pensamento.
Estou dando risada neste momento, mas não sei se é porque tento re-explicar a comédia ou se é porque eu alcancei o ápice da ignorância e me faço de palhaço aos poucos leitores que tenho, mas enfim estou dando risada, se isso é bom ou não pra mim, sinceramente não sei, mas que posso arrancar um lapso de sorriso com essa besteira, talvez.
Na verdade critico-me, algumas pessoas invejam outras, que invejam outras, que invejam outras, que em um momento você chegará a conclusão que ninguém inveja ninguém, pois todos estão rindo e se gabando de algumas coisas ou sentimentos que possuem e acabaram como eu, sendo chacota, o mais receptivo, o mais engraçado, o mais explorado, mas serão somente competidores de desgraça.
Você chegará a ser como eu e saberá o quanto você pode ser importante para alguém mesmo que esta pessoa tenha pena de você, seja por suas falhas, suas dificuldades médicas ou simplesmente por você além de sempre estar rindo por dentro carrega um grande nó de tragédia e faz o possível e impossível para não transparecer a tristeza que sente, fará o possível para que daquelas gargalhadas não saia uma lágrima, pois quando isso acontecer saberão o quanto é importante ter um palhaço e você o quanto especial ter alguém sorrindo pra você.
Voltando a ironia de fazer rir ou vice versa, observo bastante a delicadeza com que algumas pessoas podem te ferir com redundantes piadas sobre você, eles não querem acreditar que você se esforça para provar que pode ser melhor, que a tragédia não pode ser eterna. Você se desdobra para evitar que algumas pessoas te vejam triste, numa vontade louca de chorar e demonstrar sua mortalidade você ri de si mesmo para não desagradar o vicio daquele que espera dar uma gargalhada. Você se torna fiel a própria mortalha, vicia-se a demonstrar sua tragédia a troco de um simples sorriso.
Uma pessoa engraçada não nasce engraçada, ela se forma sozinha, sejam por acontecimentos em sua vida, sejam pela caridade de demonstrar o quanto podemos ser piores que os outros, simplesmente para doar o pouco da força de vontade que possui para aquele que já não acredita em sua própria força.
È ai que encontro resquícios de minha felicidade, é ai que vejo o porquê sou necessário para algumas pessoas, simplesmente por compreender o quanto pode ser doloroso, triste e dolorido, guardar o medo, a desconfiança de si próprio, a impotência de querer viver mais um dia.
É ai que vejo a ignorância dos que me assistem, é ai que percebo o preço de um sorriso.
Eles não têm idéia do que riem e eu não sei o porquê sou engraçado!
Mas sei a importância de ser lembrado.
Irônico não é, mas me sinto bem sendo assim, alias o palhaço nunca morre ele é esquecido!
26/11/2009 05hs42










